Professora Eni Corrêa

30 06 2010

Pioneira na dança no Estado do Pará. Fundadora e diretora por mais de uma década do Grupo Coreográfico da UFPA. Conheça mais desse ilustre nome da dança paraense:

Gravação do programa no Teatro Universitário Cláudio Barradas(Jerônimo Pimentel com D. Romualdo de Seixas), dia 01/07, às 19h. Entrada Franca

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Para não esquecer

30 06 2010

Segunda edição do Projeto Ribalta resgata a memória da dança no Pará

Nos anos 70, a arte paraense já apresentava um grande desenvolvimento com relação ao cenário nacional e internacional. As artes cênicas traziam inovações teóricas e técnicas, o que possibilitou, posteriormente, a criação das escolas de Dança e Teatro no Estado. Todo esse percurso é revivido na segunda edição do Projeto Ribalta, que acontecerá no dia 1º de julho, às 19h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas.

Iniciativa do Teatro Universitário Cláudio Barradas e Instituto de Ciências da Arte (ICA) /UFPA, em parceria com a Academia Amazônia e Faculdade de Comunicação da UFPA e com apoio da Pró -Reitoria de Extensão(Proex), o projeto consiste na gravação de diversos programas semelhantes a um programa de TV, em que uma figura importante para as artes cênicas é entrevistada por outras personalidades da área. A platéia também tem a possibilidade de participar, fazendo perguntas e interagindo com o convidado.

O projeto tem como objetivo documentar e preservar a memória do teatro e da dança na Amazônia, uma região pouco reconhecida pela sua produção nessa área. “Belém já teve várias realizações importantes, fomos vanguarda em muitas coisas, mas parece que é só no sudeste/sul do país que as coisas acontecem e que aqui apenas repetimos o que é feito lá.”, afirma a idealizadora do projeto, a diretora Margaret Refkalefsky.

O resultado final do programa será a gravação de um DVD com o programa, além de extras como depoimentos de outras personalidades da dança, fotos e recortes históricos de jornais, entre outros. Esse material se constituirá como importante fonte de pesquisa para estudantes e professores tanto do campo artístico, quanto comunicacional. “A Universidade tem o compromisso com a comunidade, é um serviço público. Dessa forma, ela tem que desenvolver projetos a partir do Teatro Universitário, como oficinas, programas e festivais para não ser um simples teatro, mas um teatro que colabora com a criação e divulgação do conhecimento das artes cênicas.”, explica a diretora.

Eni Corrêa, pioneirismo na dança

A entrevistada desta edição é a professora Eni Corrêa, grande nome da dança, fundadora e diretora por mais de uma década do Grupo Coreográfico da UFPA. A professora será entrevistada por outros nomes ilustres da área: Beth Gomes, Roberta Rezende, Sonia Massoud e Waldete Brito. Primeira edição: memória do teatro com Cláudio Barradas O projeto estreou com a gravação, em janeiro, da memória audiovisual do teatro paraense. O homenageado foi professor Cláudio Barradas, grande nome do teatro no Pará, ator, professor e responsável por criar e dirigir diversos grupos, trazendo contribuições teóricas, estéticas e práticas na forma do fazer teatral paraense.

  • Serviço:

1/07, às19h.

Teatro Universitário Cláudio Barradas – Rua Jerônimo

Pimentel, 546 (Esquina com a Dom Romualdo de Seixas). Entrada Franca. Para

mais informações: (91) 3249-0373 (horário: 14h às 21h)

Texto: Caroline Soares – Assessoria de Comunicação do TUCB

Arte gráfica : Edmir Amanajás





Mudança na programação

24 06 2010

Devido ao jogo do Brasil amanhã(25/06) pela Copa do Mundo, ocorreram algumas mudanças na programação da Mostra de Pássaros Juninos. Confira:

  • 22.06

Cordão de Bicho Bacu (Icoaraci)

Cordão de Pássaro Aritauá (Acará)

  • 23.06

Cordão de Pássaro Guará (Icoaraci)

Pássaro Junino Bem-Te-Vi (Belém)

  • 24.06

Cordão de Pássaro Bem-Te-Vi (Outeiro)

Cordão de Pássaro Pipira da Água Boa (Outeiro)

  • 26.06

Pássaro Junino Ararajuba (Mosqueiro)

Cordão de Pássaro Tem-Tem (Mosqueiro)

Cordão de Bicho Leão Dourado

  • 27.06

Cordão de Pássaro Tem-Tem (Outeiro)

Pássaro Junino Tucano

Pássaro Junino Pavão (Icoaraci)

  • 28.06

Cordão de Pássaro Bigodinho da Brasília (Outeiro)

Pássaro Junino Uirapuru (Umarizal)

  • 29.06

Cordão de Bicho Oncinha (Icoaraci)

Pássaro Junino Rouxinol (Pedreira)

Lembre-se, a entrada é franca e todos estão convidados!





1ª Mostra de Pássaros Juninos do Teatro Cláudio Barradas

23 06 2010





Pássaros lutam por reconhecimento

18 06 2010

Por Felipe Cortez, estudante de jornalismo e brincante de pássaro junino

Foto: grupo Tucano/ Divulgação

Para Iracema, guardiã do Tucano, o Teatro de Pássaro Junino, que também é conhecido como Teatro Melodrama Fantasia, carece de atenção não apenas das autoridades, mas do paraense de um modo geral, que pouco conhece a respeito das culturas populares locais. “O Pássaro precisa ser olhado, ser apresentado, ser amado, porque ele é único, só tem aqui, é um orgulho do Pará. Mas para ele ser amado, ele precisa ser conhecido. Por isso, convidamos toda a sociedade a participar da festa que não apenas é a temporada do Pássaro Tucano, mas das apresentações dos mais de vinte que estarão voando sobre Belém em junho”. E Ester Sá, que vive pelo terceiro ano a folia do Tucano, diz que espera poder escrever novos textos para o grupo de teatro junino, mas, também, incentivar os demais brincantes a fazer o mesmo. “O Pássaro Tucano tem uma turma muito jovem e talentosa, que tem tudo para fazer perdurar esta tradição muitos e muitos anos, a continuar a atravessar gerações”.

O grupo também convida todos a conhecer o recém aprovado Ponto de Cultura Heranças do Velho Chico, no bairro do Telégrafo, onde a comunidade de brincantes realiza os ensaios. “Ao longo de 2010 realizaremos oficinas de artesanato, dança, interpretação, audiovisual, entre outras atividades, e convidamos a comunidade a ocupar este que sempre foi um ponto de cultura, ainda que pouco conhecido”, declara Iracema Oliveira. O espaço homenageia Francisco Oliveira, mestre da cultura paraense, pai de Iracema, Guaracy e Raimunda, as irmãs Oliveira, todas guardiãs do Pássaro.

Os próximos pontos de pouso onde o Pássaro Tucano vai realizar suas apresentações serão a comunidade Imperial (dia 20, às 18h), no Jurunas, os teatros Gasômetro e Cláudio Barradas (ambas as apresentações no dia 27, às 18h e 20h, respectivamente), e, em um último pouso antes de retornar às matas, o Ponto de Cultura Heranças do Velho Chico, dia 3 de julho





Uma revoada de pássaros originalmente paraense

17 06 2010

Por Phillippe Sendas – Estudante de Comunicação Social da UFPA

Foto: IAP

O dia era 13 de fevereiro de 1878. O suntuoso Teatro Nossa Senhora da Paz, construído em estilo neoclássico, fora inaugurado com o objetivo de entreter as abastadas famílias da aspirada “francesinha do Norte”, do intendente Antônio Lemos. Encenado pela Companhia de Vicente Pontes de Oliveira, o primeiro espetáculo apresentado no teatro foi “As Duas Órfãs”, do dramaturgo e romancista francês Adolphe d’Ennery. O final do século XIX e o início do século XX, marcam um período de intensa modernização da Santa Maria de Belém do Grão-Pará, denominado Belle-Époque.

A remodelação urbana, a mudança de hábitos e costumes, e uma política de embelezamento inspirada nas cidades européias, com destaque para Paris, só foi possível porque a capital paraense contava com os subsídios provindos da economia da borracha, e, também, era o principal ponto de escoamento do produto para o mercado externo. A professora do Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia, da Universidade Federal do Pará, Maria de Nazaré Sarges, aborda essa temática com propriedade em seus estudos já desenvolvidos.

Esse percurso histórico foi traçado para contextualizar o surgimento de uma das manifestações culturais mais originais do estado do Pará: os Pássaros Juninos. Definido por muitos como uma “opereta popular contemporânea”, os pássaros surgiram no final do século XIX inspirados nas características das apresentações de companhias artísticas do Teatro da Paz. No primeiro ano de existência do teatro, entre fevereiro e dezembro de 1878, estima-se que foram apresentados 126 espetáculos, principalmente, aqueles de companhias vindas de Portugal, da França e do Rio de Janeiro. O público era formado por uma nova elite paraense composta de seringalistas, financistas e comerciantes. Em contrapartida, as classes menos favorecidas, que não tinham acesso a esses espetáculos, criaram os grupos de pássaros, numa manifestação que envolve música, teatro, dança e literatura e é apresentada nos festejos juninos até hoje.

“O pássaro junino se configura como uma criação de inspiração popular tão bela e tão complexa que, no meu entender, é a maior contribuição da cultura paraense para a cultura junina nacional”, afirma o poeta, professor e estudioso do imaginário amazônico, João de Jesus Paes Loureiro. Atualmente, segundo o Instituto de Artes do Pará (IAP), na Região Metropolitana de Belém existem 18 grupos de pássaros. O Rouxinol, do bairro da Pedreira, por exemplo, conta com 104 anos de existência. Além desse, há também os pássaros Uirapuru, Tucano, Papagaio Real, Sabiá, Pavão, Beija-Flor, Tangará, Bem-Te-Vi, Ararajuba, Tem-Tem e outros.

Os grupos de pássaros possuem um administrador ou gerenciador chamado de “guardião”. Marilza Tavares, 36 anos, guardiã há seis anos do pássaro Tem-Tem, do bairro do Guamá, resume que o mais gratificante no trabalho é “olhar para trás e ver tudo lindo e todo mundo com aquele sentimento no coração mostrando para o povo o que é a cultura, o que é o pássaro junino”, se referindo às apresentações do grupo que é formado por 60 pessoas. No entanto, a guardiã reforça a sua crítica para os nossos governantes que, segundo ela, precisam valorizar mais as manifestações culturais do estado.

Em 1965, o primeiro periódico científico brasileiro do campo das ciências da Comunicação, a revista Comunicações & Problemas, publicou na sua edição inaugural um artigo sobre os pioneiros estudos da “folkcomunicação”, uma autoria de Luiz Beltrão, o primeiro doutor em Comunicação do Brasil. Segundo Luiz Beltrão, a “folkcomunicação é o processo de intercâmbio de informações e manifestações de opiniões, idéias e atitudes de massa através de agentes e meios ligados direta ou indiretamente ao folclore”. Com a expansão dos estudos dessa teoria, surgiram outros direcionamentos de pesquisa como o foco na relação entre as manifestações da cultura popular e a comunicação de massa. Desse modo, a manifestação expressa por meio dos Pássaros Juninos se ajusta aos estudos desenvolvidos por Beltrão, já que os grupos surgiram por iniciativa, principalmente, de moradores de regiões periféricas que se caracterizavam pelo reduzido poder aquisitivo devido à baixa renda.

Carlos Alberto Barbosa, 61 anos, guardião há 12 anos do pássaro Uirapuru, dos bairros do Umarizal e da Pedreira, acredita que as apresentações do grupo, parcialmente, são uma forma de comunicação entre a comunidade e o restante da sociedade, tanto que os personagens da peça conhecidos como “matutos” utilizam da comédia para inserir o contexto social atual nas apresentações, como, por exemplo, as questões relacionadas ao saneamento básico da comunidade. Paes Loureiro, identificando os Pássaros Juninos como uma forma de teatro, arte e cultura popular, afirma que o contato entre as comunidades e a sociedade por meio das apresentações é feito “por via da sensibilidade, por via da emoção estética” em um processo de comunicação popular.

Apesar da redução do número de grupos, os Pássaros Juninos estão resistindo, mesmo com tantas dificuldades. Além das restrições financeiras, muitos deles sofrem com a evasão de pessoas que não se interessam mais em participar dos ensaios e das apresentações. Há a tentativa por parte de muitos guardiões de desenvolver, não só no mês dos festejos juninos, mas durante o ano todo, um trabalho social nos bairros e comunidades onde os grupos estão localizados. Cabe a sociedade e ao poder público a difícil tarefa de impedir que essa manifestação cultural genuinamente paraense desapareça.

  • Reportagem produzida para o Jornal Laboratório “Entre Vistas”, da disciplina Laboratório de Jornalismo Impreso II.




O Teatro dos Pássaros Juninos

16 06 2010

O Teatro Cláudio Barradas recebe a partir da próxima semana vários grupos de Teatro Popular paraense chamados de “Pássaros Juninos”. Para o leitor conhecer mais dessa singular manifestação artística, o blog publicará diversos textos e imagens sobre esses grupos, convidando o público a experimentar o melhor da cultura regional do mês de junho.

Foto: Grupo Tucano/ Divulgação

O que é?

O Pássaro Junino é uma forma de Teatro Popular, um teatro sui generis (único), organizado em quadros, contendo uma estrutura de base musical. Os Pássaros Juninos de Belém constituem uma das mais criativas manifestações da cultura popular do Pará e se inserem no calendário dos folguedos juninos. É uma manifestação típica do estado, nascida na cultura local e criada por seus artistas populares. Ele tem sua origem no século XIX, precisamente por volta de 1877, época também da inauguração do Teatro da Nossa Senhora da Paz, mais tarde simplificado para Teatro da Paz.

Cordões de Pássaros e Bichos e Pássaros Juninos.

Os espetáculos são denominados de Cordão de Pássaros e Bichos, Pássaro Junino ou Joanino. Este último também com a denominação de Pássaro Melodrama Fantasia. Suas apresentações são realizadas durante as festividades do mês de junho, quando são festejados os populares santos da época: Santo Antônio, São João,São Pedro e São Marçal.

Os cordões de pássaros têm como característica a permanência em cena da maioria dos brincantes, colocados em semicírculo, onde no centro desenvolvem-se todas as cenas. Os brincantes, na hora de suas cenas, dirigem-se ao centro do palco, voltando, em seguida para as suas posições de origem.

Já o pássaro junino ou pássaro melodrama fantasia, requer espaço mais apropriado, com palco, camarim e cortina. Os brincantes, durante as apresentações fazem várias trocas de roupas. As cortinas são utilizadas para a finalização de cenas e quadros. Assim, se temos uma cena da maloca e em seguida o bailado, o ato de abrir e fechar a cortina faz a separação imaginária dos ambientes, muitas vezes acompanhado do comentário de um narrador. Antigamente, tinha como cenário painés pintados, simbolizam o Panorama Amazônico. Atualmente, não existem mais esses painéis.

Nos cordões de pássaros, a história gira em torno de um pássaro que é ferido ou morto por um caçador. Este é perseguido e levado à presença do dono do pássaro, que promete uma punição caso o caçador não consiga curar ou ressucitar o pássaro.Neste momento, temos a presença do médico ou do pajé, que consegue salvar a ave, dando vida a todos do cordão.

Nos pássaros juninos, diferente dos cordões, o pássaro raramente é ferido ou morto, mas é perseguido, passando muitas vezes a fazer parte de temas secundários. A história gira em torno da vida de nobres, na qual sempre há um vilão que arquiteta contra os mais fracos. Estes, com a ajuda dos personagens índios, matutos e outros, conseguem vencer o tirano.

(Adaptado de CHARONE, Olinda. Pássaros e Bichos Juninos – Históricos e Enredos. Cardenos IAP,21. Belém, 2008.)

Continua…