Machado de Assis, Internet e humor

5 04 2011

Texto: Caroline Soares – Coord. Produção e Comunicação ICA, com informações de Carlos Correia.


Peça usa diversos recursos para aproximar o público das obras de Machado de Assis

Em 2008, o país comemorou o centenário de morte de Machado de Assis, considerado um dos melhores escritores brasileiros de todos os tempos. Suas obras são repletas de personagens complexos, que vão desde a misteriosa Capitu, de Dom Casmurro, até Brás Cubas, que recheia as páginas de Memórias Póstumas de Brás Cubas com seus comentários sarcásticos pós-túmulo.

Embora o autor, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, seja reconhecido pelo meio intelectual brasileiro até os dias atuais, o grande público ainda apresenta dificuldade de acesso às obras machadianas. O ritmo frenético da vida da maioria da população se torna um obstáculo à leitura, uma atividade que exige tempo e reflexão.

Pensando em uma solução para aproximar o gênio da literatura brasileira ao público, foi produzida a peça O Assassinato de Machado de Assis, uma “comédia policial” que estreia dia 8 de abril no Teatro Cláudio Barradas. Escrito pelo dramaturgo Carlos Correia, o espetáculo usa o teatro como estratégia para levar a literatura às pessoas: com cenas de humor e mistério, os personagens de várias obras machadianas são apresentados à plateia.

Personagens de várias obras se tornam suspeitos do crime

A história começa com Capitu conversando com o detive Queiroz para revelar que Machado de Assis não morreu de causas naturais. Segundo a personagem, o autor foi, na verdade, assassinado. A partir dessa afirmação, toda a história começa a se desenrolar na tentativa de resolver o mistério.

Os suspeitos são os outros personagens das obras de Machado de Assis, como Simão Bacamarte, o cientista em busca da loucura, de O Alienista. Os motivos que levaram ao assassinato também são um mistério: seria inveja ou maldade? Mais do que tentar responder a essas perguntas, o espetáculo propõe uma apresentação sutil e divertida do universo machadiano.

Internet aumenta suspense

Além da peça, a produção do espetáculo, o Coletivo  Parla Palco, usa a internet como estratégia de aproximação com a população. A todo o momento, o perfil no twitter dá dicas sobre o possível responsável pela “morte” de Machado de Assis e o blog publica “opiniões” dos personagens suspeitos, provocando e envolvendo o público em torno da trama.Clique aqui. Para acompanhar os tweets e clique aqui para ler o blog.

  • Serviço

Espetáculo O Assassinato de Machado de Assis

Teatro Universitário Cláudio Barradas (Jerônimo Pimentel, 546)

Dias 8, 9, 10, 15, 16 e 17, às 21h.

Ingresso: R$ 20,00

Anúncios




Bastidores do Projeto Ribalta

6 07 2010

Bastidores, momentos antes do ínicio da gravação.A professora Eni já está sentada no centro, rodeada pelas amigas e entrevistadoras.

A produção trabalha nos detalhes finais antes da entrevista com Eni Corrêa.





Para não esquecer

30 06 2010

Segunda edição do Projeto Ribalta resgata a memória da dança no Pará

Nos anos 70, a arte paraense já apresentava um grande desenvolvimento com relação ao cenário nacional e internacional. As artes cênicas traziam inovações teóricas e técnicas, o que possibilitou, posteriormente, a criação das escolas de Dança e Teatro no Estado. Todo esse percurso é revivido na segunda edição do Projeto Ribalta, que acontecerá no dia 1º de julho, às 19h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas.

Iniciativa do Teatro Universitário Cláudio Barradas e Instituto de Ciências da Arte (ICA) /UFPA, em parceria com a Academia Amazônia e Faculdade de Comunicação da UFPA e com apoio da Pró -Reitoria de Extensão(Proex), o projeto consiste na gravação de diversos programas semelhantes a um programa de TV, em que uma figura importante para as artes cênicas é entrevistada por outras personalidades da área. A platéia também tem a possibilidade de participar, fazendo perguntas e interagindo com o convidado.

O projeto tem como objetivo documentar e preservar a memória do teatro e da dança na Amazônia, uma região pouco reconhecida pela sua produção nessa área. “Belém já teve várias realizações importantes, fomos vanguarda em muitas coisas, mas parece que é só no sudeste/sul do país que as coisas acontecem e que aqui apenas repetimos o que é feito lá.”, afirma a idealizadora do projeto, a diretora Margaret Refkalefsky.

O resultado final do programa será a gravação de um DVD com o programa, além de extras como depoimentos de outras personalidades da dança, fotos e recortes históricos de jornais, entre outros. Esse material se constituirá como importante fonte de pesquisa para estudantes e professores tanto do campo artístico, quanto comunicacional. “A Universidade tem o compromisso com a comunidade, é um serviço público. Dessa forma, ela tem que desenvolver projetos a partir do Teatro Universitário, como oficinas, programas e festivais para não ser um simples teatro, mas um teatro que colabora com a criação e divulgação do conhecimento das artes cênicas.”, explica a diretora.

Eni Corrêa, pioneirismo na dança

A entrevistada desta edição é a professora Eni Corrêa, grande nome da dança, fundadora e diretora por mais de uma década do Grupo Coreográfico da UFPA. A professora será entrevistada por outros nomes ilustres da área: Beth Gomes, Roberta Rezende, Sonia Massoud e Waldete Brito. Primeira edição: memória do teatro com Cláudio Barradas O projeto estreou com a gravação, em janeiro, da memória audiovisual do teatro paraense. O homenageado foi professor Cláudio Barradas, grande nome do teatro no Pará, ator, professor e responsável por criar e dirigir diversos grupos, trazendo contribuições teóricas, estéticas e práticas na forma do fazer teatral paraense.

  • Serviço:

1/07, às19h.

Teatro Universitário Cláudio Barradas – Rua Jerônimo

Pimentel, 546 (Esquina com a Dom Romualdo de Seixas). Entrada Franca. Para

mais informações: (91) 3249-0373 (horário: 14h às 21h)

Texto: Caroline Soares – Assessoria de Comunicação do TUCB

Arte gráfica : Edmir Amanajás





Projeto apresenta três espetáculos no palco do TUCB

7 06 2010

Texto: Caroline Soares *

Fotos: João Roberto Simioni

Resultado da pesquisa do ator paulista Eduardo Okamoto, o projeto “10 anos por uma escrita do corpo”, resume uma década de estudo sobre a criação teatral fundada na organização de repertórios físicos e vocais do atuante. O evento acontecerá em cinco cidades do país : Belém, Natal, Goiânia, Porto Alegre e Belo Horizonte. Em Belém, entre oficinas e outras atividades,  o projeto inclui a apresentação das peças “Agora é à hora de nossa hora”, ” Uma estória abensonhada”  e “Eldorado” no Teatro Universitário Cláudio Barradas.

O espetáculo “Agora é a hora de nossa hora”  foi desenvolvido a partir da contribuição do ator para o projeto “Gepeto” – uma parceria da ONG ACADEC (Ação Artística para o Desenvolvimento Comunitário) e o CRAISA (Centro de Referência em Atenção Integral à Saúde do Adolescente)-  em que crianças e adolescentes de rua eram inseridos no mundo da arte. A pesquisa foi estendida para a coleta de depoimentos, ações, gestos e vozes, além de um estudo sobre a Chacina da Candelária.

Assim nasceu “Agora e na hora de nossa hora”, com direção de Verônica Fabrini, a peça já participou de grandes festivais de teatro do Brasil, como o Filo, do Paraná. O espetáculo ainda foi apresentado em outros países: Espanha, Suiça, Kosovo e Marrocos. Neste último, o ator recebeu o prêmio de Melhor Interpretação Masculina do Festival Internacional de Expressão Corporal, Teatro e Dança de Agadir.

Após o espetáculo, será lançado o livro “Hora de nossa hora: o menino de rua e o brinquedo circense” (Editora Hicitec, 2007). O livro de autoria de Okamoto sintetiza a sua experiência com os meninos de rua, assim como o processo que gerou o espetáculo.

Dois é bom

Além de “Agora e na hora de nossa hora”, a programação artística apresenta “Uma estória abensonhada”, em que Eduardo Okamoto dirige atores do Grupo Camaleão de Pesquisa em Teatro, do Rio Grande do Sul. O espetáculo adapta para a cena o conto “A praça dos deuses”, do escritor moçambicano Mia Couto. O processo de criação, assim como os solos de Eduardo Okamoto, contou também com um apurado trabalho de observação de pessoas reais.

Em cena, os atores contam a história do rico comerciante Mohamed Pangi Pathel que, em 1926, despende sua fortuna para festejar, em praça pública, o matrimonio de seu único filho. Festa igual nunca mais se veria naquelas paragens. Nos trinta dias de duração dos festejos, a ilha inteira vinha e se servia às arrotadas abundancias. Em final surpreendente, o ismaelita segreda-nos uma desculpa, revelando os motivos de tão inesperada celebração.

Três é bom demais

Novamente um solo de Okamoto, cujo processo criativo, dessa vez, foi fundado no estudo sobre a rabeca – instrumento de arco e cordas, presente em muitas manifestações de cultura popular no Brasil.

Em pesquisas de campo nas cidades de Iguape e Cananéia (litoral sul de São Paulo), o ator conheceu rabequeiros e seus construtores, recolheu causos, músicas, gestos, ações vocais, histórias etc. O premiado dramaturgo argentino Santiago Serrano partiu destes materiais primeiros para criar a fábula de um cego que, acompanhado por uma menina, busca o seu bom lugar: “Eldorado”. O espetáculo é dirigido por Marcelo Lazzaratto que, em sua concepção de encenação, emprega pouquíssimos recursos materiais, transferindo para o corpo do ator, para o uso da palavra e para a iluminação as tarefas de significação. Sobre o palco nu, destaca-se pela luz a presença de um homem cego que anda em círculos e imagina, cria, inventa realidades em busca do conhecimento.

“Eldorado” participou de alguns dos mais importantes eventos e festivais do país, entre os quais se destacam o Festival Internacional de Londrina, o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, a Mostra Cena Contemporânea de Brasília e o Caxias em Cena, entre outros. Por sua atuação, Eduardo Okamoto foi indicado ao Prêmio Shell 2009, a mais prestigiosa premiação do país, na categoria de melhor ator.

    A programação foi contemplada pelo Prêmio Myriam Muniz de Teatro 2009 e, em Belém, conta com apoio do IAP, Teatro Cláudio Barradas, Escola de Teatro e Dança da UFPa e III Festival Territórios de Teatro. Conheça o restante da programação clicando aqui.

    • Serviço

    Agora e na hora de nossa hora – 7/06, às 19h (1ª sessão) e às 21h (2ª sessão). Espetáculo recomendado para maiores de 14 anos. Ingressos: R$5(meia para todos). Duração : 60 min.

    Uma estória abensonhada – 8/06, às 19h (1ª sessão) e às 21h (2ª sessão). Espetáculo com indicação etária livre. Ingressos R$5(meia para todos). Duração: 50 min.

    Eldorado – 9 e 10/06, às 19h.Espetáculo recomendado para maiores de 12 anos.Ingressos R$5 (meia para todos).

    * Com informações da produtora local, Cristina Costa e site http://www.eduardookamoto.com/