Programação Festival Territórios de Teatro

3 08 2010

Festival Territórios de Teatro

  • Dia 08/08, às 10h.

Pássaro Junino Tucano( Abertura do Festival)

  • Dia 12/08 , às 21h

Corpo Santo

  • Dia 13/08 , às 21h

Meio dia do fim

  • Dia 14/08, às 21h

Frozen

  • Dia 15, às 21h

Os Dons de Quixote

A entrada é franca. O Festival também apresentará espetáculos em outros teatros da cidade. Clique em “Ler mais” para conferir a programação completa.

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Mudança na programação

24 06 2010

Devido ao jogo do Brasil amanhã(25/06) pela Copa do Mundo, ocorreram algumas mudanças na programação da Mostra de Pássaros Juninos. Confira:

  • 22.06

Cordão de Bicho Bacu (Icoaraci)

Cordão de Pássaro Aritauá (Acará)

  • 23.06

Cordão de Pássaro Guará (Icoaraci)

Pássaro Junino Bem-Te-Vi (Belém)

  • 24.06

Cordão de Pássaro Bem-Te-Vi (Outeiro)

Cordão de Pássaro Pipira da Água Boa (Outeiro)

  • 26.06

Pássaro Junino Ararajuba (Mosqueiro)

Cordão de Pássaro Tem-Tem (Mosqueiro)

Cordão de Bicho Leão Dourado

  • 27.06

Cordão de Pássaro Tem-Tem (Outeiro)

Pássaro Junino Tucano

Pássaro Junino Pavão (Icoaraci)

  • 28.06

Cordão de Pássaro Bigodinho da Brasília (Outeiro)

Pássaro Junino Uirapuru (Umarizal)

  • 29.06

Cordão de Bicho Oncinha (Icoaraci)

Pássaro Junino Rouxinol (Pedreira)

Lembre-se, a entrada é franca e todos estão convidados!





1ª Mostra de Pássaros Juninos do Teatro Cláudio Barradas

23 06 2010





Uma revoada de pássaros originalmente paraense

17 06 2010

Por Phillippe Sendas – Estudante de Comunicação Social da UFPA

Foto: IAP

O dia era 13 de fevereiro de 1878. O suntuoso Teatro Nossa Senhora da Paz, construído em estilo neoclássico, fora inaugurado com o objetivo de entreter as abastadas famílias da aspirada “francesinha do Norte”, do intendente Antônio Lemos. Encenado pela Companhia de Vicente Pontes de Oliveira, o primeiro espetáculo apresentado no teatro foi “As Duas Órfãs”, do dramaturgo e romancista francês Adolphe d’Ennery. O final do século XIX e o início do século XX, marcam um período de intensa modernização da Santa Maria de Belém do Grão-Pará, denominado Belle-Époque.

A remodelação urbana, a mudança de hábitos e costumes, e uma política de embelezamento inspirada nas cidades européias, com destaque para Paris, só foi possível porque a capital paraense contava com os subsídios provindos da economia da borracha, e, também, era o principal ponto de escoamento do produto para o mercado externo. A professora do Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia, da Universidade Federal do Pará, Maria de Nazaré Sarges, aborda essa temática com propriedade em seus estudos já desenvolvidos.

Esse percurso histórico foi traçado para contextualizar o surgimento de uma das manifestações culturais mais originais do estado do Pará: os Pássaros Juninos. Definido por muitos como uma “opereta popular contemporânea”, os pássaros surgiram no final do século XIX inspirados nas características das apresentações de companhias artísticas do Teatro da Paz. No primeiro ano de existência do teatro, entre fevereiro e dezembro de 1878, estima-se que foram apresentados 126 espetáculos, principalmente, aqueles de companhias vindas de Portugal, da França e do Rio de Janeiro. O público era formado por uma nova elite paraense composta de seringalistas, financistas e comerciantes. Em contrapartida, as classes menos favorecidas, que não tinham acesso a esses espetáculos, criaram os grupos de pássaros, numa manifestação que envolve música, teatro, dança e literatura e é apresentada nos festejos juninos até hoje.

“O pássaro junino se configura como uma criação de inspiração popular tão bela e tão complexa que, no meu entender, é a maior contribuição da cultura paraense para a cultura junina nacional”, afirma o poeta, professor e estudioso do imaginário amazônico, João de Jesus Paes Loureiro. Atualmente, segundo o Instituto de Artes do Pará (IAP), na Região Metropolitana de Belém existem 18 grupos de pássaros. O Rouxinol, do bairro da Pedreira, por exemplo, conta com 104 anos de existência. Além desse, há também os pássaros Uirapuru, Tucano, Papagaio Real, Sabiá, Pavão, Beija-Flor, Tangará, Bem-Te-Vi, Ararajuba, Tem-Tem e outros.

Os grupos de pássaros possuem um administrador ou gerenciador chamado de “guardião”. Marilza Tavares, 36 anos, guardiã há seis anos do pássaro Tem-Tem, do bairro do Guamá, resume que o mais gratificante no trabalho é “olhar para trás e ver tudo lindo e todo mundo com aquele sentimento no coração mostrando para o povo o que é a cultura, o que é o pássaro junino”, se referindo às apresentações do grupo que é formado por 60 pessoas. No entanto, a guardiã reforça a sua crítica para os nossos governantes que, segundo ela, precisam valorizar mais as manifestações culturais do estado.

Em 1965, o primeiro periódico científico brasileiro do campo das ciências da Comunicação, a revista Comunicações & Problemas, publicou na sua edição inaugural um artigo sobre os pioneiros estudos da “folkcomunicação”, uma autoria de Luiz Beltrão, o primeiro doutor em Comunicação do Brasil. Segundo Luiz Beltrão, a “folkcomunicação é o processo de intercâmbio de informações e manifestações de opiniões, idéias e atitudes de massa através de agentes e meios ligados direta ou indiretamente ao folclore”. Com a expansão dos estudos dessa teoria, surgiram outros direcionamentos de pesquisa como o foco na relação entre as manifestações da cultura popular e a comunicação de massa. Desse modo, a manifestação expressa por meio dos Pássaros Juninos se ajusta aos estudos desenvolvidos por Beltrão, já que os grupos surgiram por iniciativa, principalmente, de moradores de regiões periféricas que se caracterizavam pelo reduzido poder aquisitivo devido à baixa renda.

Carlos Alberto Barbosa, 61 anos, guardião há 12 anos do pássaro Uirapuru, dos bairros do Umarizal e da Pedreira, acredita que as apresentações do grupo, parcialmente, são uma forma de comunicação entre a comunidade e o restante da sociedade, tanto que os personagens da peça conhecidos como “matutos” utilizam da comédia para inserir o contexto social atual nas apresentações, como, por exemplo, as questões relacionadas ao saneamento básico da comunidade. Paes Loureiro, identificando os Pássaros Juninos como uma forma de teatro, arte e cultura popular, afirma que o contato entre as comunidades e a sociedade por meio das apresentações é feito “por via da sensibilidade, por via da emoção estética” em um processo de comunicação popular.

Apesar da redução do número de grupos, os Pássaros Juninos estão resistindo, mesmo com tantas dificuldades. Além das restrições financeiras, muitos deles sofrem com a evasão de pessoas que não se interessam mais em participar dos ensaios e das apresentações. Há a tentativa por parte de muitos guardiões de desenvolver, não só no mês dos festejos juninos, mas durante o ano todo, um trabalho social nos bairros e comunidades onde os grupos estão localizados. Cabe a sociedade e ao poder público a difícil tarefa de impedir que essa manifestação cultural genuinamente paraense desapareça.

  • Reportagem produzida para o Jornal Laboratório “Entre Vistas”, da disciplina Laboratório de Jornalismo Impreso II.




O Teatro dos Pássaros Juninos

16 06 2010

O Teatro Cláudio Barradas recebe a partir da próxima semana vários grupos de Teatro Popular paraense chamados de “Pássaros Juninos”. Para o leitor conhecer mais dessa singular manifestação artística, o blog publicará diversos textos e imagens sobre esses grupos, convidando o público a experimentar o melhor da cultura regional do mês de junho.

Foto: Grupo Tucano/ Divulgação

O que é?

O Pássaro Junino é uma forma de Teatro Popular, um teatro sui generis (único), organizado em quadros, contendo uma estrutura de base musical. Os Pássaros Juninos de Belém constituem uma das mais criativas manifestações da cultura popular do Pará e se inserem no calendário dos folguedos juninos. É uma manifestação típica do estado, nascida na cultura local e criada por seus artistas populares. Ele tem sua origem no século XIX, precisamente por volta de 1877, época também da inauguração do Teatro da Nossa Senhora da Paz, mais tarde simplificado para Teatro da Paz.

Cordões de Pássaros e Bichos e Pássaros Juninos.

Os espetáculos são denominados de Cordão de Pássaros e Bichos, Pássaro Junino ou Joanino. Este último também com a denominação de Pássaro Melodrama Fantasia. Suas apresentações são realizadas durante as festividades do mês de junho, quando são festejados os populares santos da época: Santo Antônio, São João,São Pedro e São Marçal.

Os cordões de pássaros têm como característica a permanência em cena da maioria dos brincantes, colocados em semicírculo, onde no centro desenvolvem-se todas as cenas. Os brincantes, na hora de suas cenas, dirigem-se ao centro do palco, voltando, em seguida para as suas posições de origem.

Já o pássaro junino ou pássaro melodrama fantasia, requer espaço mais apropriado, com palco, camarim e cortina. Os brincantes, durante as apresentações fazem várias trocas de roupas. As cortinas são utilizadas para a finalização de cenas e quadros. Assim, se temos uma cena da maloca e em seguida o bailado, o ato de abrir e fechar a cortina faz a separação imaginária dos ambientes, muitas vezes acompanhado do comentário de um narrador. Antigamente, tinha como cenário painés pintados, simbolizam o Panorama Amazônico. Atualmente, não existem mais esses painéis.

Nos cordões de pássaros, a história gira em torno de um pássaro que é ferido ou morto por um caçador. Este é perseguido e levado à presença do dono do pássaro, que promete uma punição caso o caçador não consiga curar ou ressucitar o pássaro.Neste momento, temos a presença do médico ou do pajé, que consegue salvar a ave, dando vida a todos do cordão.

Nos pássaros juninos, diferente dos cordões, o pássaro raramente é ferido ou morto, mas é perseguido, passando muitas vezes a fazer parte de temas secundários. A história gira em torno da vida de nobres, na qual sempre há um vilão que arquiteta contra os mais fracos. Estes, com a ajuda dos personagens índios, matutos e outros, conseguem vencer o tirano.

(Adaptado de CHARONE, Olinda. Pássaros e Bichos Juninos – Históricos e Enredos. Cardenos IAP,21. Belém, 2008.)

Continua…








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